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Tu, que dormes, espírito serenoComo um levita á sombra dos altaresAcorda! É tempo! O sol já vai alto e plenoPosto à sombra dos credos secularesEscuto em sonhos, quando a sombra desceDa noite nas fantásticas estradasEsse novo corcel, cujas passadasE, passando a galope, me apareceUm cavaleiro de expressão potenteE o corcel negro diz: " eu sou a morte"Cavalga a fera estranha sem temorFormidável, mas plácido, no porteNuma espiral, de estranhas contorções,Como um bando levado pelos ventosNo meu sonho desfilam as visõesEspectros dos meus próprios pensamentos.FF
Nem um poema, nem um verso nem um canto
Nada a não ser este silêncio tenso
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Que faz do amor sozinho...o amor imenso!
A grande solidão que de ti espero
Que hoje te aspiro, embalo, gemo e canto
A voz com que te chamo é o desencanto
E o espermen que te dou, o desespero
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo
Do que desistir e ir embora...
Sonhar um verso de alto pensamento
São assim... ocos, rudes os meus versos
É frágil, como o sonho de um momento
Palavras vãs e sentimentos dispersos
FF
Já é manhã...
O primeiro raio de sol, já entra no meu quarto.
A preguiça envolve o meu corpo morno
Despojado de movimentos...
Volto a fechar os olhos e recuso-me a despertar
Quero continuar a sentir, o aconchego do meu leito
Mas o meu corpo quente e relaxado
Começa a reagir!
A primeira reacção, involuntária...
É um esticar de braços
Não, não é um espreguiçar!
É apenas um toque no vazio
O despertar para um novo dia
..... de solidão....
FF
Que linda tarde aberta sobre o marAbriu-se a noite em mágico luar...Andando atrás de mim, sem me largarSó o vento geme, e quer entrarE fico a olhar o luarTão prateado no marPara doidamente me lembrarE, a tristeza começa a chegar!Quanto menos recordarMenos me vou magoarMas é difícil parar..E muito mais...não chorar!O nosso amor morreu...quem o diria!
FF
Ai, amor o teu beijoDesperta em mim um desejoE aquela vontade que almejo,Que morro se não te vejo!Que louco este meu coração...Que continua na ilusão,Se te quer ainda, ou nãoE continua na solidão.Para sempre irei sussurrarO que aprendi a conjugarE contigo irei partilharEternamente o verbo amarFF
Foste um sonho,Uma esperança,Uma desilusão.Foste a causa das minhas lágrimasE nunca notasteFoste a chama do meu viverA personagem do filme que realizeiSerás uma recordação constanteA corda da minha raivaDo meu sangueDa minha culpaMas hojeÉs a pedra que esmagou o chãoQue pisa o palhaço que se riu de mimHoje,Tu és a insignificânciaQue desprezoO herói que derroteiO nome que risquei da minha vida.Hoje,Para mim és o passadoJá morto e enterradoNão existes maisFoi uma chama que se apagouE não se tornou a acenderPorque o fogo já se extinguiuFoste a causaDe todo o meu sonho desfeitoDas minhas tristezasDe todo o meu sofrerFoste...FF
Gosto da noite
Gosto de um céu cheio de estrelas cintilantes...
Gosto de instantes felizes...
Do instante seguinte!
De cada minuto que nos é dado, como que
Uma nova oportunidade para mudar tudo !
De um olhar... de um sorriso...
De sonhar!
De sentir que não estou perdida numa imensa solidão...
Que simplesmente existo!!
E por isso estou aqui
Para dar sempre o meu sorriso ás pessoas que gosto
E me fazem sentir bem!
FF
Palavras de um mundo obscuro
Sentidos opostos da vida
Sentado no alto de um muro
A espera de uma palavra amiga
Foi um fiel companheiro
De coracao simples e puro
Por amor nao trocava dinheiro
Porque acreditava no seu futuro
Caminhou numa estrada sem rumo
Guiado pela imaginacao
Riquezas dispersas como fumo
Na angústia do seu coracao
FF
Entre os teus lábios é
que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
Andou perdida no mundo
Chorou no ombro da solidão,
Apaixonou-se pela lua
E a tristeza deu-lhe a mão.
Passou ás portas do inferno,
Passou ás portas do céu
Andou perdida nas trevas
Em noites escuras como bréu.
Pedia desejos ás estrelas
Fazia declarações á lua
Brincava com o sol
Esta menina da rua.
Filha do sonho da gente
Filha do mal e do bem
Ela é tudo o que o mundo sente
Ela é tudo o que o mundo tem.