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A minha triste boca doloridaEsbate as linhas graves e severasE cai num abandono esquecidaPelo assombro desta quimeraO meu rosto de monja, de marfimE as lágrimas que choro, branca e calmaNinguém as vê cair dentro de mimNinguêm as vê brotar na minha almaProcuro-te em vão, de braços abertosO som dos teus passos, sei conhecerAguardo com sentimentos despertosMas sabe-se amor, que não pode ser!A minha boca morta, grita aindaQuando chegarás para te verSentirei a tua boca, linda!E o nosso amor renascer...FF
O vento levará os mil cansaçosAtravés do mistério que embalaE há-de voltar aos nossos membros lassosE em nós germinará a sua falaNesse êxtase pagão que vence a sorteNum frémito vibrante de ansiedadeA nuvem que arrastou o vento norteÉ a sombra entre a mentira e a verdadeO meu corpo em leves arabescosFelinamente, em voluptuosas dançasVai-te envolvendo em círculos dantescosCravados no teu peito como lançasE gera heróis e poetasNum mundo de maldades e pecadosO meu desejo e a minha ânsia secretaQue sejamos eternamente abençoadosFF
Sinto que novamente embargoPara um mundo de aventurasComeça um novo marcoCom palavras obscurasDesligada dos círculos funestosDe expectativa, e mentiras alheiasSinto o peso dos meus gestosNas minhas mãos, que estão cheiasPorque os outros usam a virtudeOnde germina, calada a podridãoCom uma aparente atitudePara comprar o que não tem perdãoUm dia gastos voltaremosDe gestos agitados, irreaisA lamentar o que sofremosA viver livres, como animaisFF
Amar-te a vida inteira eu não podia
Uma saudade morta em nós renasce
A gente esquece sempre, o bem de um dia
A mais nobre ilusão morre...desfaz-se
O nosso sonho foi alto e forte
Deve-nos ser sagrado como pão
Que pensei vê-lo até à morte
A encher-me de luz o coração
Toldam-se-me os olhos, de onde corre a vida
Neste corpo exausto que despi
Noite de amor que me foi prometida
No mais secreto que existe em ti
Sonho que eu e tu, dois pobrezinhos
Num país de ilusão que nunca vi
Andamos de mãos dadas, nos caminhos
E eu morro amor, dentro de ti! FF
Longe de ti são ermos os caminhosLonge de ti há noites silenciosasTuas mãos doces, plenas de carinhosPerdidas pelas noites invernosasTanto clarão nas trevas reflugiuPedi à vida mais do que ela davaMeu castelo de luz que me caiuEterna sonhadora edificavaPassei a vida a amar e a esquecerAs brumas dos atalhos por onde andoÁ procura de um raio de sol para me aquecerQue há-de partir também, nem sei quandoE é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédioE este amor que assim me vai fugindoA mesma angústia funda, e sem remédioMas a fé igual, em outro amor que vai surgindo...FF
No mais secreto do que existe em tiA grande solidão que de ti esperoTua falsa beleza, que não viA voz com que te chamo, é de desesperoNão fui eu que te quis, e não são meusOs lábios sedentos que poisaramPossessa desta raiva que me deuJamais os meus dedos te tocaramNossos corpos pensantes se entrelaçamNossos sexos furiosos se confundemNossas almas sedentas se trespassamNossos prazeres únicos se fundemPensando, nos secamos e perdemosUma causa maior que nos expliqueEsta ansia de desejo que trazemosQue nos satisfaça ou justifiqueFF
Porquê esperar porquê, se não se alcançaO gesto que estrangula, a voz que gritaAntes aproveitar a nossa herançaDo monstro que inventámos e que nos fitaEsta semente agreste que trazemosDentro do peito a emoçãoUm punhado de cinza esparso ao ventoE na alma o bater do coraçãoEste frio que anda em mim, e me gelouQue é fortuna infinita é demênciaSe eu nem sei onde ando e onde vouSinto os passos da dor, da decadênciaSou um verme que um dia quis ser astroSou um refelxo...un canto de paisagemUma estátua truncada de alabastroSei lá quem sou!... Uma miragemFF
Quero viver um momento
Da noite ao mal frescor
E entre os suspiros do vento
Morrer contigo de amor
Quero tremer e sentir
Quero viver de esperança
Quero sonhar e dormir
Quero apagar a lembrança
Se me ponho a cismar em outras eras
Parece-me que foi numa outra vida
Que dantes tinha o rir das primaveras
Em que ri e cantei, em que era querida
Minha alma é frágil como o sonho de um momento
Soturna como preces de agonia
Como soluços trágicos do vento
É magoada, é pálida e sombria...
FF
Tu, que dormes, espírito serenoComo um levita á sombra dos altaresAcorda! É tempo! O sol já vai alto e plenoPosto à sombra dos credos secularesEscuto em sonhos, quando a sombra desceDa noite nas fantásticas estradasEsse novo corcel, cujas passadasE, passando a galope, me apareceUm cavaleiro de expressão potenteE o corcel negro diz: " eu sou a morte"Cavalga a fera estranha sem temorFormidável, mas plácido, no porteNuma espiral, de estranhas contorções,Como um bando levado pelos ventosNo meu sonho desfilam as visõesEspectros dos meus próprios pensamentos.FF
Nem um poema, nem um verso nem um canto
Nada a não ser este silêncio tenso
Tudo raso de ausência, tudo liso de espanto
Que faz do amor sozinho...o amor imenso!
A grande solidão que de ti espero
Que hoje te aspiro, embalo, gemo e canto
A voz com que te chamo é o desencanto
E o espermen que te dou, o desespero
Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora
Antes sofrer a raiva e o sarcasmo
Do que desistir e ir embora...
Sonhar um verso de alto pensamento
São assim... ocos, rudes os meus versos
É frágil, como o sonho de um momento
Palavras vãs e sentimentos dispersos
FF