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Quis Deus fazer-me tua, para nadaInuteis esses beijos que te deiContinuo sozinha na madrugadaPercorrendo o caminho de estrelas, que tracei
No silêncio das noites estreladasCaminho sem saber para onde vouQuem foi, que sobre as ondas revoltadasTinha o manto do sol, e mo roubou?
És tu que eu vejo a estender-me os braçosQue Deus criou para me abraçar, a mimForam-se os desalentos, os cansaçosTudo é divino e santo visto assim
Sou a sombra profunda dos espaçosPerco-me em mim, na dor de ter vividoE não tenho a doçura de uns abraçosQue me façam sorrir de ter nascido.
FF
Como uma miragem que entrevejoIdeal que nasceu na solidãoSonho implacável do desejoCom o nome que se dê a essa visãoPor esse beijo vivo tão doridaQue para ser feliz antes valeraViver na crença de esperança já perdidaTenho de ti o bem que apeteceraE morro na paixão que mal pressentesE perdem-se pelo ar cheios de desejoOs beijos que te dou e tu não sentesQue me enlouquecem, e que em ti prevejoVem prender-me num abraço teuNeste mar de sonho em que me afundoQuero sentir teu corpo junto ao meuExiste amor mais louco e profundo?!FF
Sonhei que um vento me levava arrebatadoOnde uma aurora ri louçãOlhavam-me e diziam com cuidadoAs estrelas que guardam a manhãMas eu baixava os olhos, receosaAtravés desse espaço consteladoE passava furtiva e silenciosaAndar triste, semblante caladoErma cheia de tédio e de quebrantoVirou-se para Deus minha alma tristeRompendo as amarras, caindo em prantoSó me falta saber se Deus existeQue seja sonho apenas a esperançaEnquanto a dor eternamente assisteSe em silêncio sofrer vingançaContinuarei na dúvida, se Deus existeFF
Uma visão com asas de cetimPousa de leve a delicada mãoVem ás vezes, sentar-se perto de mim...Sobre o meu dolorido coraçãoPorque é tão erma e triste a tua vida?Vem comigo! Embalada nos meus braços!E diz-me essa visão compadecida:- Transporás a dormir esses espaçosA noite exala uma doçura infindaNum sonho feito de luz e encantoOnde se crê e se ama, aindaNa noite funda há um silêncio santoEu escuto-a imóvel, com ar sonolentoFito-a, num pasmo doloroso absortoE mudo o tenebroso pensamento...E responde: - " bem sabes que estou morto"FF
Amor vivo tão só nesta tristezaLonge do teu olhar, cheio de encantoTão longe ando de ti, numa incertezaOnde minha alma se desfaz em prantoO teu amor que tanto ambicioneiO pranto desta alma que deliraE a que tão loucamente me entregueiNão passava, afinal, de uma mentiraAcreditei na vida, e foi assimUm amor puro e ledo, de criançaDeixar alimentar dentro de mimUma alegria cheia de esperançaPerdão plos meus erros conscientesPara o mal que já fiz e ainda fizerE para os meus pecados inocentesE o crime sem perdão, de ser mulher...FF
Por ti que enches o mundo e não te vejo
Onda incorpórea e hálito disperso
és o dulçor que encontro em cada beijo
A harmonia que busco em cada verso
No voo em que me elevo a procurar-te
Que um múrmurio de cântico e de prece
me embala e vai comigo a toda a parte
Mergulho no infinito, e até parece
Que por ti se enflora a terra e o sol aquece
e toda a luz é para iluminar-te
E toda a sombra má desaparece
E a música de Deus para cantar-te
É teu todo este sonho.Meu coração
Guarda-te um beijo audaz, febricitante
Beijo feito de fogo e paixão
Que por ti pulsa, em sonho inebriante
FF
Quase apagada já a luz do diaNa hora magoadissima do poenteQue nem o mar, o grande mar ouviaRezava a tua voz tão docementeNo meu, o teu olhar que se morriaE o mar a nossos pés em tom crescenteTocando nem sei que sinfoniaNa minha mão, a tua mão ardenteA mesma chama nos prendeu aos doisE a ambos fustigou como um açoiteDepois... sei lá que aconteceu depoisFoi a primeira estrela dessa noiteTodo esse altivo e festival concertoSua voz, seu olhar, sua alma castaBrancas formas de luz que ao seio apertoSonhadoramente, numa dor nefasta...FF
Alguma vez no espaço de um só diaSonhaste percorrer a eternidade?Que faz da nossa vida uma agoniaAlguma vez soubeste o que é saudade?Sentiste esmurecer tua alegriaNo derradeiro tom da claridadeComo ao cair da noite murcha o diaPerdeste alguma vez a liberdade?Se nunca presumiste o que era amorSe uma saudade, enfim não conhecesteDespindo as galas e vestindo a dorQue o maior mal ainda não sofresteVê lá do que os teus olhos são capazesQue insensato e louco é quem se iludeQue valha o mal que tu me fazesQuis fugir, esquecer-te, mas não pudeFF
A madrugada transformou-se em poenteDeixou-me triste assim que se apagouEu inundei-me dessa luz ardenteLuz que nasceu e apenas cintilouEsta contradição quem foi que a fez?Há dois amores! Qual é o verdadeiro?O da primeira ou segunda vez?Se há segunda, que é feito do primeiro?Eu que julgava eterna a duraçãoDo voluptuoso amor que nos uniaDe junto ao meu, possuir teu coraçãoEu que cheguei a ter essa alegriaConta-me com toda a verdadeSe ainda me amas, ou assim assimEu vou morrendo de saudadesMas o tempo, é que me vai matando a mim.FF
Tu deste-me a ventura mais perfeitaDa imensa paixão com que te quisPerdia-a, e dei-te a chama insatisfeitaFoi bom, ter sido muito felizApaguei a última ilusãoComo um cego, a luz do diaSinto ainda mais negra a escuridãoMorto, o deslumbramento em que viviaO momento mais triste de uma vidaNuma eloquência muda, apaixonadaÉ o momento fatal da despedidaE o meu sombrio olhar de amarguradaSei onde vou, e a parte que me cabeO meu destino é o que o futuro dizE há tanta, tanta gente que não sabeO que me falta pa ser feliz.FF