segunda-feira, janeiro 15, 2007

UM ABRAÇO




Quis Deus fazer-me tua, para nada
Inuteis esses beijos que te dei
Continuo sozinha na madrugada
Percorrendo o caminho de estrelas, que tracei

No silêncio das noites estreladas
Caminho sem saber para onde vou
Quem foi, que sobre as ondas revoltadas
Tinha o manto do sol, e mo roubou?

És tu que eu vejo a estender-me os braços
Que Deus criou para me abraçar, a mim
Foram-se os desalentos, os cansaços
Tudo é divino e santo visto assim

Sou a sombra profunda dos espaços
Perco-me em mim, na dor de ter vivido
E não tenho a doçura de uns abraços
Que me façam sorrir de ter nascido.



FF

domingo, janeiro 07, 2007

AMOR LOUCO



Como uma miragem que entrevejo
Ideal que nasceu na solidão
Sonho implacável do desejo
Com o nome que se dê a essa visão

Por esse beijo vivo tão dorida
Que para ser feliz antes valera
Viver na crença de esperança já perdida
Tenho de ti o bem que apetecera

E morro na paixão que mal pressentes
E perdem-se pelo ar cheios de desejo
Os beijos que te dou e tu não sentes
Que me enlouquecem, e que em ti prevejo

Vem prender-me num abraço teu
Neste mar de sonho em que me afundo
Quero sentir teu corpo junto ao meu
Existe amor mais louco e profundo?!

FF

quinta-feira, janeiro 04, 2007

DÚVIDA



Sonhei que um vento me levava arrebatado
Onde uma aurora ri louçã
Olhavam-me e diziam com cuidado
As estrelas que guardam a manhã

Mas eu baixava os olhos, receosa
Através desse espaço constelado
E passava furtiva e silenciosa
Andar triste, semblante calado

Erma cheia de tédio e de quebranto
Virou-se para Deus minha alma triste
Rompendo as amarras, caindo em pranto
Só me falta saber se Deus existe

Que seja sonho apenas a esperança
Enquanto a dor eternamente assiste
Se em silêncio sofrer vingança
Continuarei na dúvida, se Deus existe

FF

quinta-feira, dezembro 28, 2006

VISÃO



Uma visão com asas de cetim
Pousa de leve a delicada mão
Vem ás vezes, sentar-se perto de mim...
Sobre o meu dolorido coração

Porque é tão erma e triste a tua vida?
Vem comigo! Embalada nos meus braços!
E diz-me essa visão compadecida:
- Transporás a dormir esses espaços

A noite exala uma doçura infinda
Num sonho feito de luz e encanto
Onde se crê e se ama, ainda
Na noite funda há um silêncio santo

Eu escuto-a imóvel, com ar sonolento
Fito-a, num pasmo doloroso absorto
E mudo o tenebroso pensamento...
E responde: - " bem sabes que estou morto"

FF

sexta-feira, dezembro 22, 2006

PERDÃO, POR TE AMAR



Amor vivo tão só nesta tristeza
Longe do teu olhar, cheio de encanto
Tão longe ando de ti, numa incerteza
Onde minha alma se desfaz em pranto

O teu amor que tanto ambicionei
O pranto desta alma que delira
E a que tão loucamente me entreguei
Não passava, afinal, de uma mentira

Acreditei na vida, e foi assim
Um amor puro e ledo, de criança
Deixar alimentar dentro de mim
Uma alegria cheia de esperança

Perdão plos meus erros conscientes
Para o mal que já fiz e ainda fizer
E para os meus pecados inocentes
E o crime sem perdão, de ser mulher...

FF

domingo, dezembro 17, 2006

POR TI



Por ti que enches o mundo e não te vejo
Onda incorpórea e hálito disperso
és o dulçor que encontro em cada beijo
A harmonia que busco em cada verso

No voo em que me elevo a procurar-te
Que um múrmurio de cântico e de prece
me embala e vai comigo a toda a parte
Mergulho no infinito, e até parece

Que por ti se enflora a terra e o sol aquece
e toda a luz é para iluminar-te
E toda a sombra má desaparece
E a música de Deus para cantar-te

É teu todo este sonho.Meu coração
Guarda-te um beijo audaz, febricitante
Beijo feito de fogo e paixão
Que por ti pulsa, em sonho inebriante

FF

terça-feira, dezembro 12, 2006

DOR NEFASTA



Quase apagada já a luz do dia
Na hora magoadissima do poente
Que nem o mar, o grande mar ouvia
Rezava a tua voz tão docemente

No meu, o teu olhar que se morria
E o mar a nossos pés em tom crescente
Tocando nem sei que sinfonia
Na minha mão, a tua mão ardente

A mesma chama nos prendeu aos dois
E a ambos fustigou como um açoite
Depois... sei lá que aconteceu depois
Foi a primeira estrela dessa noite

Todo esse altivo e festival concerto
Sua voz, seu olhar, sua alma casta
Brancas formas de luz que ao seio aperto
Sonhadoramente, numa dor nefasta...

FF

sábado, dezembro 09, 2006

AGONIA DA SAUDADE



Alguma vez no espaço de um só dia
Sonhaste percorrer a eternidade?
Que faz da nossa vida uma agonia
Alguma vez soubeste o que é saudade?

Sentiste esmurecer tua alegria
No derradeiro tom da claridade
Como ao cair da noite murcha o dia
Perdeste alguma vez a liberdade?

Se nunca presumiste o que era amor
Se uma saudade, enfim não conheceste
Despindo as galas e vestindo a dor
Que o maior mal ainda não sofreste


Vê lá do que os teus olhos são capazes
Que insensato e louco é quem se ilude
Que valha o mal que tu me fazes
Quis fugir, esquecer-te, mas não pude

FF

quarta-feira, dezembro 06, 2006

CONTRADIÇÃO



A madrugada transformou-se em poente
Deixou-me triste assim que se apagou
Eu inundei-me dessa luz ardente
Luz que nasceu e apenas cintilou

Esta contradição quem foi que a fez?
Há dois amores! Qual é o verdadeiro?
O da primeira ou segunda vez?
Se há segunda, que é feito do primeiro?

Eu que julgava eterna a duração
Do voluptuoso amor que nos unia
De junto ao meu, possuir teu coração
Eu que cheguei a ter essa alegria

Conta-me com toda a verdade
Se ainda me amas, ou assim assim
Eu vou morrendo de saudades
Mas o tempo, é que me vai matando a mim.

FF

terça-feira, dezembro 05, 2006

DESPEDIDA FATAL



Tu deste-me a ventura mais perfeita
Da imensa paixão com que te quis
Perdia-a, e dei-te a chama insatisfeita
Foi bom, ter sido muito feliz

Apaguei a última ilusão
Como um cego, a luz do dia
Sinto ainda mais negra a escuridão
Morto, o deslumbramento em que vivia

O momento mais triste de uma vida
Numa eloquência muda, apaixonada
É o momento fatal da despedida
E o meu sombrio olhar de amargurada

Sei onde vou, e a parte que me cabe
O meu destino é o que o futuro diz
E há tanta, tanta gente que não sabe
O que me falta pa ser feliz.

FF